Cerco ao trabalho degradante na área têxtil se fecha no Brasil

Especialistas apostam no poder de pressão do consumidor e sites ajudam a identificar abusos na cadeia produtiva

Marisa (nome fictício de uma boliviana de 38 anos) deixou tudo para trás quando trocou Potosi, uma das cidades mais altas do mundo (3.967 metros de altitude), pelo Brasil: filho, pais e emprego de digitadora da Justiça Eleitoral local. O baixo salário, de dois mil bolivianos (que hoje valem cerca de R$ 588,80) por mês, e a instabilidade no emprego motivaram a mudança para o Brasil. Ela migrou sem dizer para onde ia. Contou aos pais simplesmente que tinha sido convidada para integrar um projeto da Justiça Eleitoral em outro estado da Bolívia.

Marisa chegou a São Paulo em 2010, depois de ouvir um anúncio numa rádio da sua cidade natal, que dizia haver vagas para pessoas que soubessem ou não costurar. A primeira impressão ao chegar não podia ter sido melhor: “um país lindo e gigante”. Só que, contratada por bolivianos para trabalhar como costureira na capital paulista, Marisa acabou engrossando, indiretamente, as estatísticas oficiais do trabalho escravo contemporâneo no Brasil, no segmento de vestuário. (continua) Fonte: O Globo

(…) “Marisa diz ter passado fome e comido alimentos estragados.

Permissão para sair de casa ela só recebeu depois de um mês trabalhando sem parar. A jornada começava às 7h, duas antes do desjejum, e seguia até às 23h, com rápidos intervalos para almoço e um lanche, à noite. Caso não terminasse o serviço, era obrigada a trabalhar até às 2h da madrugada. Ao final de um mês de trabalho, R$ 160 de remuneração, que Marisa diz ter sido obrigada a devolver para saldar a dívida contraída com a compra da passagem de ônibus para São Paulo.”

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