Sem pressa, por Márcia Tiburi

Ilustração: Rafa Camargo

Seu Paulo está internado há meses devido às crises de demência senil. Hoje chamam de alzaimer. Antigamente chamava-se caduquice. Seu Paulo poderia estar simplesmente caduco, mas não se interessa mais por definições. Não quer saber de nada. Jogou o guarda-chuva na faxineira. Chamou-a de gorda. Agora dá cantadas nas enfermeiras da clínica, nas filhas e netas a quem diz: “Você me deixa louco”. Para seu Paulo todos são simplesmente desconhecidos.

*

Nossos avós caducavam, os avós dos outros também. Um dia, nós caducaríamos, então era melhor não rir do que diziam, para evitar sobre nós o riso futuro. Ficar caduco não era nada desejável. Um velho caduco era um tipo de louco, só que menos curioso. Por isso, dona Lúcia rezava todas as noites para morrer dormindo antes de esquecer como se rezava. (continue lendo) Fonte: Vida Breve

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Arquivado em Literatura, Livros, Língua Portuguesa

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