Quase 60% das domésticas que trabalham no DF são nordestinas

Quase  60% das domésticas que trabalham na capital vem de áreas pobres. São mulheres mais vulneráveis a ter os direitos negados. Mas há quem conseguiu, com força de vontade e auxílio, melhorar de vida.

Nascida no Piauí, Durcelene foi dada pela mãe a um casal da cidade aos 9 anos. Hoje, ela trabalha como manicure

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Um requisito incomum no caso de outras profissões aparece com frequência em anúncios de emprego para contratação de domésticas nos classificados de Brasília: “Pref. recém chegadas”, avisam os futuros patrões. A expressão mostra o quanto a ocupação na capital federal é quase exclusivamente desempenhada por gente de fora, sobretudo de lugares mais pobres do país. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos apontam que 57,1% das mulheres que exercem a profissão nas casas do Distrito Federal vieram do Nordeste. A predileção pelas migrantes, entretanto, não está ligada a algum dote especial. Sob a condição de anonimato, contratantes admitem as verdadeiras razões — as empregadas tendem a ficar mais tempo no trabalho, inclusive nos fins de semana, por não conhecerem ninguém, além de apresentarem um nível de tolerância maior em relação a jornadas longas, falta de carteira assinada e outros direitos suprimidos.

“Não é maldade. Apenas quero ter certeza se a pessoa vai querer ficar comigo antes de assinar carteira, toda essa burocracia”, diz uma mulher que tenta, há cerca de 15 dias, contratar alguém que durma no emprego. As razões apresentadas pelos patrões são muitas e o discurso, quase sempre, resvala para a tese de que todos ganham — quem contrata teria que ensinar o serviço e, por isso, acha justo que inicialmente parte dos direitos seja desrespeitada. Para Rebecca Tavares, diretora regional da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, a ideia não passa de ranço cultural que leva as domésticas a serem vistas como “serviçais”. “É um trabalho subvalorizado, invisível e executado principalmente por mulheres e meninas, muitas das quais são migrantes ou membros de comunidades desfavorecidas e, portanto, particularmente vulneráveis à discriminação em relação às condições de emprego e trabalho, bem como outros abusos de direitos humanos”, afirma. (continua) Fonte: Correio Braziliense

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