Arquivo do dia: 29/07/2012

Língua portuguesa: incluído ou incluso?

Incluído ou Incluso?

1) A questão que se põe é saber quando empregar incluso e incluído.

2) Observe-se que não é tão difícil encontrar verbos que têm dois particípios passados. São eles denominados verbos abundantes.

3) Nesses casos, o particípio normal, que segue as regras de derivação, é mais longo e chama-se regular; o outro, irregular. Assim, entregado, benzido e extinguido são particípios passados regulares; já entregue, bento e extinto são particípios passados irregulares.

4) Com os verbos ter ou haver (formando tempos compostos na voz ativa), usa-se normalmente o particípio passado regular. Exs.: a) “Ele tinha acendido o fogo“; b) “Ele havia acendido o fogo“.

5) Com o verbo ser (formando voz passiva) e com o verbo estar, usa-se normalmente o particípio passado irregular. Exs.: a) “O fogo fora aceso por ele“; b) “O fogo estava aceso“.

6) Atente-se, adicionalmente, a que chegar não faz chego no particípio passado. Ex.: a) “O réu tinha chegado com atraso à audiência” (correto); b) “O réu tinha chego com atraso à audiência” (errado).

7) Acrescente-se, por fim, que incluído e incluso não são formas abundantes de particípio do verbo incluir, e sim apenas incluído, uma vez que, como adverte com propriedade Otelo Reis1, em lição para diversos verbos (dentre os quais incluir), “as formas dadas como seus particípios [irregulares] são hoje meros adjetivos”.

8) Com essa lição em mente, confiram-se, assim, os seguintes exemplos, com a indicação de sua correção ou erronia: a) “O garçom tinha incluído o serviço na conta” (correto); b) “O garçom tinha incluso o serviço na conta” (errado); c) “O serviço já fora incluído na conta” (correto); d) “O serviço já fora incluso na conta” (errado); e) “O incluso tíquete de desconto não foi levado em consideração” (correto).

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 1 Cf. REIS, Otelo. Breviário da Conjugação dos Verbos da Língua Portuguesa. 34. ed. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1971, p. 150.

Fonte: Migalhas.com.br

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Direito & Literatura: Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes

Direito e Literatura: do Fato à Ficção é um programa de televisão apresentado pelo procurador de Justiça do Rio Grande do Sul e professor da Unisinos Lenio Streck, onde se discute, com convidados, uma obra literária e seu diálogo com o Direito. A obra desta edição é Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Participam do debate Carlos Gómez Jara Díez, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Madrid, e Ruben Daniel Castiglioni, professor de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Veja o programa.

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